Memorial
A história do Memorial do Iate Clube de Brasília está profundamente ligada ao nome de Ana Marly de Melo Rodrigues. Vice-diretora cultural em 2001 e idealizadora do Memorial, ela assumiu posteriormente a Diretoria Cultural em 2011, deixando uma contribuição marcante para a preservação da memória institucional do Clube.
Foi da curiosidade, do tempo disponível e, sobretudo, do carinho pelo Iate que nasceu a ideia de organizar e estruturar a história da instituição. Incomodada com o descuido em relação aos registros e obras, decidiu agir. O que começou como uma iniciativa voluntária transformou-se em um dos mais importantes legados culturais do Clube.
A criação do Memorial teve início em 2001, na gestão do comodoro Ennius Muniz, e foi oficialmente inaugurada em 2007, durante a gestão de Edson Mendonça. Ao lado da colaboradora e técnica em biblioteconomia Vanderlina Mendonça, Ana Marly visitou museus e centros culturais de Brasília para compreender como estruturar o espaço, organizar acervos e aplicar técnicas adequadas de catalogação. O aprendizado foi construído na prática, com dedicação, bom humor e espírito de parceria.
O trabalho exigiu perseverança. Parte da documentação administrativa encontrava-se armazenada em prédio antigo, exposta à umidade e a condições inadequadas de conservação. Fotografias, jornais e documentos históricos precisaram ser cuidadosamente separados, catalogados e restaurados. Havia imagens fixadas em papéis improvisados, registros sem identificação e materiais deteriorados pelo tempo. Ainda assim, o objetivo era claro: dar dignidade à história do Iate.
O esforço resultou em um Memorial estruturado, organizado e respeitado, tornando-se referência interna e inspiração para outras iniciativas culturais. Durante sua trajetória, Ana Marly também destaca o aprendizado ao lado de Nancy Safatle, cuja experiência artística contribuiu para orientar aspectos técnicos da expografia e da organização visual das obras.
Os anos dedicados à Diretoria Cultural foram vividos com entusiasmo e entrega. A dedicação era tamanha que, como relembra Vanderlina Mendonça, Ana Marly costumava dizer que exercer a função no Iate era como uma “cachaça”: criava-se um vínculo tão forte que era impossível não se envolver profundamente. As reuniões, os projetos e cada etapa do processo eram aguardados com expectativa e alegria.
Para Ana Marly, o Memorial nunca foi apenas um projeto administrativo. Foi um gesto de amor à instituição. Um trabalho construído com paixão e responsabilidade para preservar a trajetória do Clube, fortalecer sua identidade e assegurar que a memória do Iate Clube de Brasília permanecesse viva para as futuras gerações.